sexta-feira, 27 de maio de 2011

COMO EU VEJO AS PERSONAGENS... (3)

COMO EU VEJO
ELIZABETH BANKRUPT


Pelas informações que Agatha Christie (a autora que está escrevendo a peça que vemos no palco), nos fornece podemos deduzir que Elizabeth Bankrupt é uma mulher de 60 e poucos anos, muito elegante, ultrapassando o limite da ostentação, com roupas finas, muitas jóias, peles, maquiagem exagerada e que usa chapéus e sapatos exóticos.
Viúva de George Worchesther há muitos anos, Elizabeth é uma mulher denodada. Sua arrogância e soberba são permanentes em seu comportamento. Trata a todos aos que julga “inferiores” com total falta de consideração e de respeito, ao contrário da maneira como trata aqueles a quem ela considera “pessoas importantes” e “as bem colocadas na sociedade”, para as quais Elizabeth Bankrupt esbalda-se em elogios e sorrisos sempre visando conquistar benesses, empréstimos, favores, cargos, etc...
Em resumo, uma mulher fútil, frívola e preconceituosa. Considera-se integrante de uma elite social e por isso merecedora de privilégios e regalias dessa casta superior da sociedade.
Elizabeth vem de uma família aristocrática da cidade de Cardiff no País de Gales, situado no norte da Ilha da Grã-Bretanha. Filha de um importante banqueiro e uma conceituada artista plástica Elizabeth recebeu uma educação sofisticada nos melhores colégios da Europa.
A relação com a sua família, especialmente com seu pai, sempre foi difícil. Os dois discutiam muitas vezes e o velho Mr. Jonh Bankrupt a considerava perdulária.
Sua mãe, Maureen Lyghan, era a típica “artista” da alta sociedade. Pintava quadros com cores excêntricas, usava figurinos exóticos como os das divas do cinema e fazia cursos de arte por todo o velho continente, com os mais famosos pintores e, como ela atualmente, Maureen Lyghan considerava-se uma mulher de “extremo bom gosto” e freqüentava as mais altas rodas da sociedade. Ambas, mãe e filha, sofreram crises profundas de depressão. Numa dessas crises, talvez impulsionada pelo ópio, um vício que Maureen adquiriu em suas viagens ao Oriente, ela suicidou deixando um trauma profundo para Elizabeth.
A partir da morte da mãe Elizabeth tornou-se uma mulher mais amarga.
Ela conheceu George Worchesther num cruzeiro pelas ilhas gregas e os dois, muito jovens ainda, aproveitaram, a seu modo, a vida. Viajaram muito, sempre cercados de muito luxo. Freqüentaram jantares em mansões de poderosos, cassinos, grandes concertos das grandes sinfônicas e esbanjaram muito dinheiro adquirindo obras de arte, roupas de grife, bebidas exóticas, etc...
George Worchesther, um “bon vivant” e Elizabeth formavam um casal avançado para sua época e o velho Mr. Jonh Bankrupt, pai de Elizabeth os considerava depravados e fúteis. Por isso, deserdou a filha e não mantinha mais suas extravagâncias. Ela processou seu próprio pai e conseguiu na justiça receber sua parte na herança quando o pai faleceu e continuou sua vida de viagens e jantares, com a mesma opulência ao lado de George até a morte dele.
Depois de viúva, Elizabeth teve alguns – muitos – rápidos romances com rapazes bem mais novos que ela, a quem sustentou e presenteou com objetos de valor em troca de carinho e sexo. Desfilar com esses rapazes, que mais parecem ser seus filhos ou sobrinhos, pelos museus, cafés e boulevards parisienses é uma das atividades prediletas de Elizabeth.
Seu interesse pela família Worchesther é inexistente, ou melhor, só lhe interessam os bens da partilha da herança de Harold que a fizeram vir até ali debaixo de uma nevasca intensa.
Com o seu cunhado Coronel Franklin ela manteve sempre uma relação complicada, cheia de confrontos. Os dois conviveram quando Franklin esteve a serviço do exército britânico na cidade de Cardiff no País de Gales, onde Elizabeth residia. Ali, então, durante certo período, de três anos aproximadamente, os dois casais (Elizabeth e George / Franklin e Madeleine, sua esposa) costumavam encontra-se em reuniões do clube dos oficiais, ou em suas casas.
Certa noite, após um jantar e muitos whiskys, Franklin aproximou-se da sua cunhada e, longe dos olhares do irmão e de sua esposa, tentou seduzi-la. Ela correspondeu, os dois trocaram carícias e depois voltaram à sala onde estavam George e Madeleine. Alguns dias depois Franklin voltou à carga e convidou Elizabeth para um passeio num iate da família. Ela foi e os dois fizeram sexo a bordo do iate. Depois, naquele mesmo dia, brigaram muito. Discutiram e ela deu parte na polícia contra Franklin por abuso sexual. Não satisfeita, Elizabeth contou tudo o que houve à Madeleine que, ao saber do ocorrido, separou-se de Franklin.
Elizabeth tornou-se a “melhor amiga” de Madeleine e Franklin nunca a perdoou.


Enéas Lour
25 de maio de 2011.

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